PROBLEMA 1 - O que é tecnologia?
Problema: Os documentos oficiais, inclusive a BNCC, indicam que na escola os alunos devem aprender com as tecnologias digitais, de forma crítica e construtiva. As secretarias de educação buscam montar um plano de capacitação para o uso efetivo das tecnologias digitais junto aos professores da rede de ensino, mas por outro lado as escolas não contam com infraestrutura para o uso destes artefatos, ou para a inclusão de metodologias ativas. Na formação inicial dos professores, na graduação, pouco se usa as tecnologias digitais ou não se desenvolve uma didática que envolva recursos digitais educacionais, tais como Podcasts, Audiobook, Webradio, Videoaulas, Animação, HQ, Simulação, RA e RV, Jogos Educativos (analógicos ou digitais)... Por outro lado, as tecnologias digitais estão cada vez mais disponíveis no cotidiano, na Cultura Digital. Até que ponto a população e os professores compreendem a Cultura Digital? E como os professores compreendem o que é tecnologia? Quais os preconceitos que impedem o uso das tecnologias digitais em práticas educativas ativas e inovadoras?Bibliografia Básica:PIMENTEL, F. A Aprendizagem das crianças na Cultura Digital. 2ª ed. rev e ampl. Maceió: Edufal, 2017.PINTO, A. V. O conceito de tecnologia.São Paulo: Contraponto, 2008. v. 1
Respostas/Discussão:
Até que ponto a população e os professores compreendem a Cultura Digital?
É complicado responder essa pergunta, porque compreender a cultura digital não é algo que acontece de forma igual para todo mundo. Tem gente que usa tecnologia o tempo todo, mas ainda assim não para para pensar no que ela significa, no que ela muda na nossa forma de viver, de aprender e de nos relacionarmos. Quando Pimentel fala de cultura digital, ele mostra justamente que não se trata só de usar aparelhos ou estar conectado, mas de um novo jeito de organizar a vida social, a comunicação e o conhecimento (Pimentel, 2015); e isso mexe diretamente com a escola.
O que mais chama atenção é que a escola parece estar dentro desse mundo digital e fora dele ao mesmo tempo. Isso porque, fora da escola, as crianças já vivem essa cultura de maneira muito mais espontânea, criativa e participativa, elas exploram, produzem, testam, compartilham. Já dentro da escola, muitas vezes a tecnologia ainda aparece de forma controlada, limitada e até engessada, como se fosse só um apoio para a aula tradicional e não parte de uma transformação maior no modo de ensinar e aprender (Pimentel, 2015).
Isso nos faz pensar que o problema talvez não seja simplesmente a presença ou a ausência da TDIC, mas o modo como é compreendida. Vieira Pinto ajuda muito, porque ele amplia essa discussão ao mostrar que tecnologia não é só máquina, aparelho ou novidade moderna. Ele traz a visão que a tecnologia tem a ver com o próprio processo humano de transformar o mundo, de produzir cultura e de construir conhecimento (Pinto, 2008). Quando a gente olha por esse lado, fica mais fácil perceber que, muitas vezes, a escola reduz demais o conceito de tecnologia e acaba tratando como algo externo, quase como um acessório, quando na verdade ela faz parte da própria experiência humana.
E como os professores compreendem o que é tecnologia?
Acredito que poucos professores chegam na escola com uma ideia pronta e fechada do que seja tecnologia, até porque o conceito de tecnologia como ciência não é tão trabalhado assim na formação inicial. Por isso, essa compreensão vai sendo construída de formações continuadas, da prática e também das limitações do próprio contexto escolar. Mas, olhando para o que os textos discutem, dá para perceber que muitas vezes os professores compreendem tecnologia de um jeito mais reduzido, quase como sinônimo de aparelho, ferramenta ou recurso de apoio para a aula.
Em vez de ser entendida como possibilidade de criar, transformar e produzir novos modos de aprender, ela acaba ficando presa a um uso mais instrumental, mais técnico mesmo. O próprio debate educacional brasileiro passou muito tempo marcado por essa visão tecnicista, centrada no ensino de ferramentas e procedimentos, no “aprender sobre computadores”, e não no “aprender com” eles (Valente, 2016). Isso ajuda a entender por que tantos professores ainda associam tecnologia a laboratório, computador, internet, projetor, aplicativo, mas nem sempre a veem como parte de uma mudança mais profunda no jeito de ensinar.
Pimentel também ajuda a pensar nisso quando mostra que a simples presença das TIC não transforma automaticamente a educação, pois para haver inovação de verdade, não basta colocar recursos digitais na escola, é preciso mudar crenças, comportamentos, metodologias e relações (Pimente, 2015). Álvaro Pinto acrescenta à discussão trazendo a perspectiva que a tecnologia não pode ser reduzida a máquina ou novidade modernal, inclusive ele recusa até a expressão “era tecnológica”, porque o ser humano sempre viveu numa era tecnológica, já que a tecnologia faz parte da própria condição humana de agir sobre o mundo, transformar a realidade e produzir cultura (Pinto, 2008).
Para finalizar, outro ponto importante para o debate é pensar que o professor não deveria se enxergar só como alguém que aplica ferramentas prontas, mas como alguém que também produz tecnologia no sentido mais amplo, quando inventa caminhos, adapta recursos, cria estratégias e transforma sua prática para responder às necessidades reais dos alunos.
Quais os preconceitos que impedem o uso das tecnologias digitais em práticas educativas ativas e inovadoras?
Essa pergunta, para mim, mexe muito com a forma como a escola ainda olha para a tecnologia. Porque, quando o texto fala em preconceitos, eu não entendo só como rejeição explícita, daquele tipo de alguém dizer que “tecnologia estraga a educação”. Às vezes, esse preconceito aparece de um jeito mais silencioso, quando o próprio professor passa a acreditar que não é capaz de criar, testar ou conduzir práticas diferentes com o digital.
Nessa perspectiva, o problema não está só na falta de recurso, mas também na forma como o professor se percebe dentro desse processo. A tese de Viana ajuda a pensar isso quando mostra que muitas dificuldades na adoção de novas abordagens pedagógicas estão ligadas à resistência e ao despreparo docente, o que revela a necessidade de formação e suporte mais consistentes (Viana, 2013).
Isso nos faz pensar que, muitas vezes, o preconceito não é contra a tecnologia em si, mas contra a própria ideia de que o professor pode reinventar sua prática, pois quando ele não se vê capaz, tende a permanecer no que já conhece. Viana reforça que a formação não pode ser só técnica, porque ela precisa também tocar as formas de pensar, agir e sentir do professor (Viana, 2013).
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