Amigo doce

 

Na segunda-feira a aula já começou de um jeito diferente, mais leve, por conta de uma dinâmica de Páscoa. Como o domingo tinha sido Páscoa, a proposta era que cada um levasse um chocolatinho para fazer um “amigo doce”, e eu achei isso muito interessante, até porque foi a primeira vez na minha vida que participei de algo assim. Eu nunca comemorei Páscoa dessa forma, na verdade nunca comemorei mesmo, porque venho de uma família evangélica e esse nunca foi um feriado vivido por nós como costuma ser em outras famílias. Então, para mim, já começou sendo uma experiência nova, mas o que mais gostei foi a forma como a dinâmica foi conduzida.

Não era simplesmente levar um doce e trocar com qualquer pessoa de maneira aleatória. A ideia era escolher alguém que tivesse sido importante para você nessa caminhada até agora no curso, e eu achei isso muito bonito, porque dava um sentido real para aquele momento. Eu troquei com Adriana, e foi uma escolha muito natural para mim, porque a gente construiu uma troca muito boa ao longo dessa disciplina. Já nos reunimos fora da sala, pelo Meet, para conversar, debater os assuntos, tirar dúvidas, uma ajudar a outra, e isso foi muito significativo, principalmente porque, sendo ela do doutorado e eu do mestrado, essa é a única disciplina que estamos pagando juntas. Então foi muito especial poder materializar, ainda que num gesto simples, essa parceria que foi sendo construída ao longo do caminho.



Depois desse momento, voltamos para os grupos da semana anterior para debater as perguntas e apresentar nossas discussões para a turma. Na aula passada, a atividade tinha sido a construção de uma linha do tempo, e eu lembro que saí da sala muito nervosa, porque achei a proposta bem mais complicada do que ela realmente era. Fiquei com a impressão de que teria que buscar muitas fontes por fora dos textos disponibilizados, o que me deixou meio aflita, achando que seria uma atividade enorme e muito difícil de organizar. Só que, quando fui fazer com mais calma, percebi que não era bem assim, porque a própria linha do tempo já estava, de certa forma, presente nos artigos que tinham sido indicados. Isso mudou completamente meu estado de espírito. Então eu cheguei nessa aula muito mais leve do que imaginei que chegaria, e isso fez diferença na forma como vivi a discussão.

Quando nos reunimos para conversar sobre as perguntas da semana, foi realmente muito massa. Acabei ficando num grupo de pessoas muito legais, e o mais interessante é que, sem ter sido algo planejado por nós, o grupo reuniu experiências muito diferentes, todas atravessadas pela escola pública. Como o tema envolvia políticas na educação, isso enriqueceu demais a conversa, porque cada pessoa trouxe um lugar de fala muito próprio, muito vivido, muito concreto. Foi muito importante para mim ouvir como essas políticas impactaram trajetórias diferentes, perceber como determinadas mudanças chegaram de formas distintas para cada realidade, e ao mesmo tempo poder compartilhar também as minhas percepções. Foi uma discussão em que todo mundo foi ouvido, todo mundo teve espaço, e eu gostei muito mesmo da dinâmica que se formou ali.

Depois veio o momento de socializar essas respostas com a turma inteira, e eu gostei muito porque o clima realmente esquentou, no melhor sentido. Eu gosto quando a temática da semana atravessa as pessoas para além daquele lugar do “eu li o texto e vou comentar o texto”. Dessa vez foi muito além disso. Como a discussão envolvia políticas educacionais, era impossível tratar aquilo de forma distante, porque são questões que atravessam a vida de quem está ali, que dizem respeito a mudanças que nós vivemos, sentimos e acompanhamos no Brasil. Então a fala das pessoas vinha com leitura, com embasamento, mas vinha também com memória, com experiência, com implicação. E acho que isso deu uma força muito grande para a aula.

Sinceramente, até agora, essa foi para mim a melhor discussão que tivemos em sala. Deu para perceber que era um tema que tinha tocado todo mundo de algum modo, e isso apareceu muito claramente nas falas. Não era uma participação só para cumprir atividade, havia ali coisas realmente importantes sendo colocadas, com vontade de contribuir, com escuta, com posicionamento, e tudo isso sem perder o diálogo com os textos lidos na semana anterior. Foi daquelas discussões que fazem a gente sentir que a aula aconteceu de verdade.

Depois disso, nos separamos novamente em novos grupos e fomos para a segunda discussão do dia, já relacionada ao próximo PBL 6. As perguntas dessa nova etapa também foram muito interessantes, e a temática, que girava em torno da aplicabilidade das tecnologias digitais em sala de aula, rendeu uma conversa muito boa. Mais uma vez, o grupo conseguiu debater de forma rica, cada pessoa trouxe uma visão interessante sobre o tema, e o mais legal foi perceber como essas visões não se anulavam, mas se complementavam. Acho que isso também diz muito sobre a disciplina, porque ela tem proporcionado esse movimento de escuta, de confronto de ideias e de ampliação da forma como cada um pensa.




No fim, foi uma aula de que gostei bastante. Saí com aquela sensação boa de quero mais, sabe? Foi uma aula muito rica, muito viva, muito envolvente, e fiquei com a impressão de que ela terminou ainda deixando coisas ecoando. Mesmo com a correria de chegar em casa e já ter um monte de coisa para fazer, mesmo tendo me atrasado para entregar o vídeo, eu ainda fiquei com aquela sensação de curiosidade, de querer continuar pensando no que foi discutido, de querer entender um pouco mais tudo aquilo que está sendo provocado na gente. E, para mim, quando uma aula termina assim, é porque ela realmente foi muito boa.




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