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Dando continuidade às atividades da disciplina, desta vez tivemos a produção de um vídeo a partir do Problema 6, que discutia dispositivos digitais e ensino-aprendizagem. A proposta era responder, em formato de entrevista comigo mesma, às perguntas levantadas para a semana, que envolviam desde o conceito de aprendizagem móvel e seus fundamentos até o papel dos dispositivos digitais no desenvolvimento da autonomia, da competência dos alunos e da interação e interatividade nos processos de ensino. E, sinceramente, eu não faço ideia de como seria possível responder tudo isso em apenas cinco minutos, porque achei que cada pergunta, sozinha, já renderia uma discussão muito maior. Mesmo tentando resumir bastante, ainda assim foi uma atividade difícil de condensar nesse tempo.

Para conseguir responder às questões, meu processo de planejamento começou, antes de tudo, pela leitura dos textos da bibliografia básica e complementar, tentando entender quais materiais me dariam mais base para construir respostas que não ficassem soltas nem superficiais. Entre eles, o que mais me ajudou foi o livro App Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura, de Santos e Porto, de 2019, que acabou sendo uma referência central para mim, inclusive precisei até fazer essa correção porque, no vídeo inteiro, citei a obra como sendo de 2015. Além dele, também usei bastante os textos sobre leitura em dispositivos digitais móveis, sobre os dispositivos móveis como facilitadores no processo de ensino-aprendizagem e sobre m-learning, especialmente pensando essa discussão a partir de uma geração conectada. Foram leituras que me ajudaram muito a organizar o pensamento e a responder às perguntas com mais segurança.

Uma coisa que achei muito interessante ao longo desse processo foi justamente perceber como esse debate sobre dispositivos móveis na escola é mais complexo do que parece num primeiro olhar. A gente já sabe que os dispositivos fazem parte da realidade escolar, direta ou indiretamente, mas ao mesmo tempo existe todo um preconceito em torno deles, e muitas vezes esse preconceito parte de preocupações que não são totalmente infundadas, como a ideia de que o celular prende demais a atenção das crianças, vicia, dispersa e atrapalha. Só que, quando fui lendo os autores, percebi que eles trabalham essa questão por outro caminho, tentando justamente romper com essa visão simplista e também com a lógica do aluno como mero receptor passivo de conteúdo. O que aparece com força nesses textos é a possibilidade de o estudante se tornar sujeito mais crítico, mais participativo e também produtor de conteúdo. Isso, para mim, foi uma virada importante na forma de olhar para o tema.

No fundo, o que ficou muito evidente é que não faz sentido discutir educação hoje fingindo que a cultura digital não existe ou que ela está fora da vida das crianças e dos jovens. Ela já está presente, faz parte do cotidiano, das relações, das formas de comunicação, de consumo e de produção de informação. Então, se não dá para fugir disso, a questão passa a ser outra: como lidar com isso pedagogicamente, como trazer essa realidade para dentro da escola de forma crítica, intencional e educativa, sem cair nem na demonização da tecnologia, nem numa aceitação ingênua de que qualquer uso já é automaticamente positivo. Acho que foi esse equilíbrio que mais me chamou atenção nos textos e que também tentei levar para o vídeo.

Em relação ao planejamento propriamente dito, ele foi basicamente esse movimento de leitura, seleção do que mais dialogava com as perguntas e tentativa de organizar as ideias de uma forma que fizesse sentido na oralidade. Eu até cheguei a criar um roteiro para o vídeo, pensando justamente em não me perder e em conseguir distribuir melhor as respostas, mas, na prática, quase não segui esse roteiro ao pé da letra. Na hora de gravar, muita coisa acabou vindo da memória e do próprio embalo da fala, então eu fui retomando ideias que tinha lido, acrescentando outras reflexões e, em alguns momentos, até falando mais do que estava previsto inicialmente. Mesmo assim, o roteiro foi importante, porque serviu como apoio e como direção, ainda que não tenha sido seguido de forma rígida.

Já a produção do vídeo foi outra etapa que parece simples quando a gente vê o resultado final, mas que, na verdade, dá muito mais trabalho do que parece. Eu usei o Google Meet para gravar, principalmente porque achei interessante a possibilidade de colocar um fundo diferente e também porque o Meet tem uma ferramenta muito boa de tratamento da voz, isolando os ruídos externos, e isso ajuda bastante na qualidade da gravação. Depois, usei o CapCut para editar. E essa parte foi bem necessária, porque o vídeo bruto ficou enorme, acho que com uns 40 minutos, entre erros, repetições, falas que não ficaram boas, respostas em que eu me alongava demais ou momentos em que simplesmente falei algo errado e precisei recomeçar. Então foi um processo bem mais demorado e trabalhoso do que o vídeo final deixa transparecer.

No fim, foi uma atividade que exigiu bastante leitura, bastante organização das ideias e também um esforço grande de síntese, porque falar sobre dispositivos digitais e ensino-aprendizagem hoje envolve muitas camadas, muitos impasses e muitas possibilidades. Apesar da dificuldade de encaixar tudo em cinco minutos, achei que foi uma experiência muito válida, porque me obrigou não só a estudar os textos com mais atenção, mas também a pensar em como transformar esse estudo em fala, em argumento e em posicionamento.


Bibliografia Básica

SANTOS, E.; PORTO, C. App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. EDUFBA, Salvador, 2019.

BERNARDO, J. C. O; KARWOSKI, A. M. A leitura em dispositivos digitais móveis. ETD, Campinas, v. 19, n. 4, p. 795-807, dez. 2017 . Disponível em  <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676- 25922017000500795&lng=pt&nrm=iso>.  acessos  em    22    mar.    2026.

SANTOS, S. L.; STAHL, N. S. P; DA SILVA, M. A. G. T.; SARDINHA, L. C. Dispositivos móveis: um facilitador no processo ensino-aprendizagem. Revista Vértices, [S. l.], v. 18, n. 2, p. 121–139, 2016. Disponível                                 em: https://editoraessentia.iff.edu.br/index.php/vertices/article/view/1809-2667.v18n216- 09.. Acesso em: 22 mar. 2026.

SONEGO, A. H. S; BEHAR, P. A. M-learning: o uso de dispositivos móveis por uma geração conectada. Educação. Porto Alegre, Porto Alegre,  v.  42,  n.  3,  p.  514-524,   set.   2019  .    Disponível  em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981- 25822019000300514&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 23 mar. 2026. Epub 10-Fev- 2020.


Bibliografia Complementar

DUSI, L. L.; PEDROSA, S. M. P. A; SANTOS, S. R. M. Tecnologias digitais e aprendizagem docente:histórias em função de um saber específico. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 33, n. 74, p. 119–132, 2024.

WANG, C.; CHEN, X.; YU, T.; LIU, Y.; JING, Y. Education reform and change driven by digital technology: a bibliometric study from a global perspective. Humanities and Social Sciences Communications, [S.l.], v. 11, 2024. DOI: 10.1057/s41599-024-02717-y.

Comentários

  1. Rute, seu vídeo me encantou. A forma como você conseguiu trazer a ideia dos textos me chamou atenção, especialmente quando em seu texto você fala sobre o preconceito com o uso de dispositivos móveis no ambiente escolar, sabemos disso até pelas leis estão em vigência, mas sabemos que o uso com intencionalidade e propósito, nas disciplinas, pode ter um resultado muito positivo.
    Parabéns!

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  2. Esse deslocamento de perspectiva, fundamentado nas leituras de Santos e Porto, é o que realmente transforma o uso do celular de 'distração' em 'ferramenta de autonomia'. Parabéns por conseguir sintetizar temas tão complexos como m-learning e interatividade, mesmo com o desafio do tempo!

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