Achei essa aula uma das mais divertidas até agora. Quando vi a proposta da semana, fiquei com receio de que o jogo acabasse tomando muito mais tempo do que as discussões do PBL, mas, no final, consegui desenvolver as duas coisas de forma integrada e o resultado me surpreendeu bastante.
A proposta consistia em criar um jogo relacionado às discussões sobre ludicidade, e eu optei por desenvolver um RPG chamado Masmorra da Aula Morta. Como gosto muito desse tipo de jogo, foi uma atividade que me envolveu desde o início. Utilizei o Figma para montar toda a estrutura, criando as classes dos professores, o sistema baseado em dados D6, as cartas, as fichas dos personagens e até mesmo o caderno do mestre. Foi interessante perceber como os elementos tradicionais do RPG, como a narrativa, os desafios e os monstros, puderam ser utilizados para representar problemas reais do contexto educacional.
O que mais gostei foi que o jogo não ficou separado das discussões teóricas. Pelo contrário, ele serviu como uma forma de explorar as questões levantadas pelo PBL de maneira mais criativa. Cada mecânica, personagem ou desafio precisava dialogar com os conceitos estudados durante a semana, o que exigiu um exercício constante de reflexão para transformar ideias acadêmicas em elementos jogáveis.
Outro aspecto que tornou a experiência especial foi o reencontro com autores que marcaram minha trajetória na graduação. Entre eles, Luckesi, que já havia estudado bastante anteriormente e que voltou a aparecer como uma referência importante nas discussões sobre ludicidade. Revisitar suas ideias foi interessante porque permitiu olhar para conceitos já conhecidos a partir de novos contextos e problemáticas. Além disso, tive contato mais aprofundado com autores que ainda não faziam parte do meu repertório, como Jensen, além das contribuições de Ramos e Pimentel para as discussões sobre aprendizagem e jogos.
Ao final da aula, também iniciamos a nova problemática da disciplina, que trata das relações entre formação e currículo a partir da cartografia como metodologia de pesquisa. Confesso que foi um tema que despertou minha curiosidade justamente por abordar uma abordagem que eu ainda não conhecia. A proposta de construir mapas dos percursos, das tensões e dos processos vividos durante a investigação me pareceu bastante diferente das metodologias com as quais eu já havia trabalhado. Fiquei interessada em compreender melhor como a cartografia pode contribuir para analisar fenômenos educacionais sem reduzi-los a etapas rígidas ou caminhos previamente definidos.
Foi uma semana que conseguiu equilibrar teoria, criatividade e prática. Além de proporcionar discussões relevantes sobre ludicidade e aprendizagem, também mostrou como jogos podem se tornar espaços legítimos de reflexão e construção de conhecimento, algo que dialoga diretamente com as ideias defendidas pelos autores estudados e com as possibilidades pedagógicas das metodologias ativas.
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